A leitura é um passaporte como nenhum outro porque além de nos levar a todos os cantos do mundo, nos permite inventar quantos mundos queiramos. Com as letrinhas impressas em uma página de livro, o autor te conta o que deseja, mas é você quem cria as imagens para o que está lendo. Ele pode descrever um lugar, mas quem o faz nascer com uma forma ou com outra somos nós.
Quando a criança aprende a ler, dá um passo gigante em direção à sua autonomia. Já não fica à mercê daquilo que os outros decidem lhe contar ou lhe esconder, pois se torna capaz de encontrar sozinha a informação ou, simplesmente, de esbarrar nela por acaso, só porque seus olhos pousaram em algo escrito em algum lugar.
A maravilha de estar alfabetizado fica ainda maior quando se descobre o prazer de ler livros por livre e espontânea vontade. Mas a escola ainda não descobriu como nos fazer dar o passo que separa estas duas situações. Todo mundo sabe como é ineficiente obrigar alguém a ler algo que não lhe interessa. E todo mundo também sabe que quando se tem paixão por um assunto ou por uma atividade é mais fácil fazer com que os outros prestem atenção no que dizemos.
Quem sabe seja essa a forma de juntar a alfabetização com a leitura de livros: ter professores que sejam, eles mesmo, leitores tão apaixonados pelo ato de ler, que seu entusiasmo funcione como um convite irrecusável para o aluno. A paixão nos transforma em militantes e cada professor-leitor atuaria como um fiador de que a leitura é uma espécie de passaporte mágico para todos os mundos possíveis.
Talvez só seja possível transformar o panorama atual quando cada professor se transformar em um leitor empolgado com aquilo que a literatura oferece. Ter um professor que fala apaixonadamente de qualquer assunto modifica a vida do aluno. Quem já teve a sorte de encontrar um desses, sabe como fez diferença.